Lançado chamado para o I Encontro fluminense e capixaba dos pesquisadores da cultura

Pesquisadores que se dedicam à área da cultura promovem um encontro para debater e organizar este campo da pesquisa nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. O evento acontece entre os dias 23 e 24 de agosto de 2012 na cidade do Rio de Janeiro e recebe inscrições de apresentação de  trabalhos no período entre 01 a 30 de junho de 2012.

Entre aqui no site do evento

 

A pesquisa em políticas culturais

As ações culturais e o incentivo à pesquisa, seja no âmbito acadêmico quanto às incentivadas pelo poder público, foi o mote da última mesa do I Encontro Paulista de Pesquisadores em Cultura. A coordenadora do Observatório Itaú Cultural, Josiane Mozer, a gerente de Estudos e Desenvolvimento do SESC, Marta Colabone, e o diretor de Estudos e Monitoramento de Políticas do Minc, Américo Córdula, foram convidados a refetir sobre o tema sob a mediação de Lia Calabre, doutora em História. A apresentação da Associação  Periferia Invisível, da Vila Cisper encerrou o Encontro.

Por meio do programa Rumos direcionado à gestão cultural, que fomenta a pesquisa acadêmica, Josiane traçou um panorama referente às inscrições e seleções do primeiro edital 2007 da instituição. Mulheres mestrandas oriundas de cursos de Sociologia da região sudeste com temática voltada para as políticas de cultura é a fatia majoritária do programa, aponta.

Com objetivo de fazer um espaço de discussão, segundo Josiane, o Observatório do Itaú Cultural deve publicar trabalhos científicos selecionados e constantemente publicam o resultado de pesquisas, ela ainda ressalta que  desta forma é possível uma aplicabilidade mais imediata. Um novo layout para o site da instituição deve ser lançado nos próximos meses.

Já a novidade do SESC é um curso de formação em gestão e agentes  culturais. Para a gerente das unidades do estado de São Paulo, Marta Colabone, o objetivo do curso é juntar pessoas em prol do desenvolvimento de iniciativas na área. Há ainda o Núcelo de Pesquisa de Mapeamento da Zona Leste que está em andamento. Até então, o SESC foi objeto de 131 teses de mestrado e doutorado, sendo tema central de 65 trabalhos.

O representade do setor no Ministério da Cultura, Américo Córdula pontuou a criação do SNIIC (Sistema Nacional de Informação e Indicadores de Cultura) para sistematizar as informações das manifestações artísticas do Brasil que, de acordo com ele, não foram até então contabilizadas. Já a implementação das metas do PNC (Plano Nacional de Cultura) deve ter mais recursos com a parceria com o Ministério da Educação.

 

O FINANCIAMENTO E A AVALIAÇÃO DA PESQUISA EM CULTURA

Leandro Mendonça, José Carlos Durand, Pablo Ortellado e Norval Baitello Junior.

O objetivo da mesa da manhã foi abrir diálogo sobre as estruturas de avaliação e financiamento da pesquisa em cultura dentro do meio acadêmico e traçar um panorama dos desafios e particularidades da área.

Em sua fala de abertura, Pablo Ortellado, professor do programa de pós-graduação em Estudos Culturais da EACH, colocou que as estruturas de avaliação e financiamento não compreendem as particularidades e a multidisciplinaridade da pesquisa na área. Esse, inclusive, foi o tema que permeou a fala de todos os palestrantes: a dificuldade de qualificar a CULTURA dentro de uma área ou subárea específica do conhecimento e suas consequências para a obtenção de verbas. Os órgãos oficiais de financiamento não contemplam a área CULTURA.

Norval Baitello Junior, membro da coordenação de área – Ciências Humanas e Sociais – da FAPESP, informou que, dentro do órgão que representa, os projetos inscritos como “multidisciplinares” são avaliados por vários coordenadores de área, que se debruçam sobre o objeto de forma a reconhecer parceiros que comportem as particularidades apresentadas por cada projeto.

A cultura é um campo múltiplo e complexo e essa configuração também dificulta a realização de parcerias. Os pesquisadores se encontram espalhados em diversos departamentos de instituições diferentes, no entanto, trabalhando temas correlatos. A formação de uma rede fortalecida de pesquisadores da CULTURA é um meio de construir uma identidade natural da área.

Artistas e coletivos de cultura da Zona Leste realizam sarau no I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura

 

O primeiro dia do encontro terminou com uma mostra de arte e cultura no espaço do Auditório Azul da EACH-USP. Captaneados pela Associação Periferia Invisível, os artistas e coletivos – em sua maioria vinculados à Rede Livre Leste – realizaram sarau com intervenções que abarcaram desde a poesia à música, dança e teatro, além de grafite e de uma ciranda, que envolveu grande parte dos participantes presentes.

A ideia da realização do sarau e de apresentações artísticas no decorrer do encontro partiu da necessidade não só de se discutir os temas relacionados à cultura, como promover uma pequena amostra da cultura produzida na Zona Leste, região onde se localiza o campus da USP.

O sarau possibilitou a apresentação dos grupos convidados entre outros participantes do encontro, abrindo espaço para uma maior interação entre o espaço da universidade e a produção cultural da região. O encontro trouxe assim uma primeira oportunidade de apropriação deste espaço público por grupos e artistas da periferia do entorno.

 

Cultura e Movimentos

Entre as diversas mesas do I Encontro Paulista de Pesquisadores da Cultura, pela manhã, as apresentações na de Cultura e Movimentos convergem os estudos da cultura da periferia, como o documentário Luther Blissett: cultura nos extremos de São Paulo, representado pelo jornalista André Lossio, e a contextualização histórica do Cineclubismo Aplicado aos Movimentos Sociais, por Diogo Gomes. Marília Gessa, da Unicamp, falou da intelectualidade das pessoas nas favelas, na linguagem crítica do grupo Racionais MCs, que veio de encontro com a pesquisa independente de Márcia Ap. Silva Leão com a Cultura de Rua, especificamente o movimento Hip Hop e seus desdobramentos.  Diogo Noventa elucidou a visão política sobre a história do Brasil nos anos 80 e 90 por meio do Vídeo Popular, da indústria cinematográfica no Brasil e da ABVMP (Associação Brasileira de Vídeo do Movimento Popular). Esses trabalhos expostos aconteceram num círculo, o que possibilitou uma sabatina entre os participantes, dentro de um concenso da importância dos movimentos culturais como fator de transformação social.

I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura debate economia, direitos, arte e educação

Começou hoje o I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura!

O encontro acontece na EACH – USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidade de São Paulo) que tem como princípio norteador promover uma forte interação com as comunidades da zona leste, região marcada por sua enorme concentração populacional, diversidade sociocultural, desigualdades socioeconômicas e processos atuais de reestruturação econômica e urbana.

Mas o evento não se limita a esta região. Mas de 500 pessoas, entre artistas, pesquisadores e agentes do poder público, estão no evento, 200 se inscreveram para apresentar suas pesquisas no campo da cultura a partir de diferentes regiões do estado, sendo 10% da sociedade civil.

Cidadania Cultural, Cultura e Economia, Direitos Autorais, Teconologias Patrimoniais e Arte e Educação são alguns dos eixos temáticos do encontro.

Chegamos no evento!

Valmir de Souza, professor, pesquisador cultural do Instituto Pólis e um dos proponentres do evento, conta um pouco sobre as motivações da equipe de organização:

“É resultado de uma certa vontade reprimida dos pesquisadores de cultura em promover este tipo de encontro. O foco do evento está nos pesquisadores de cultura, sejam estes da academia, do poder público ou da sociedade civil.”

O objetivo do encontro é fomentar a troca e o encontro interdisciplinares evidenciando convergências e oportunidades de colaboração – pesquisadores que se dedicam a temas semelhantes em diferentes instituições e pesquisadores de áreas disciplinares distintas que têm o mesmo objeto.

O evento segue até dia 10 de fevereiro e conta com apresentações artísticas além das apresentações e debates.

 

José Magnani fala sobre os desafios do diálogo entre produtores culturais e acadêmicos

José Guilherme Magnani foi debatedor na mesa de abertura do evento.

Na entrevista falou sobre a iniciativa inovadora do evento em possibilitar o diálogo entre o “saber e o fazer”, entre produtores e políticos da cultura e acadêmicos.

Para Magnani, há também reflexão, conceitos e categorias não apenas no campo acadêmico, mas também entre os produtores culturais. O evento na EACH – USP é relevante na medida em que possibilita o encontro entre estes dois segmentos, quando a academia, um lugar de conflitos, abre espaço para este diálogo.

Confira o vídeo com Magnani:

Pólis Digital entrevista José Magnani

José Guilherme Cantor Magnani é professor livre-docente no Departamento de Antropologia na FFLCH – USP e coordenador do Núcleo d Antropologia Urbana NAU – USP.

Antonio Albino Rubim diz que a cultura não está acompanhando as atuais transformações sociais no país

As profundas transformações sociais atuais no Brasil, como as revoluções no campo das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) e o acentuado crescimento econômico do país, não estão sendo acompanhadas de uma transformação significativa no campo cultural, afirmou Antônio Albino Rubim numa comparação histórica com os anos de 1930 e 1960.

Confira o vídeo com a entrevista:

Pólis Digital entrevista Albino Rubim

Albino Rubim é professor titular do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências ProfessorMilton Santos da UFBA, pesquisador I-A do CNPq e Secretário de Cultura do Estado da Bahia.

Na abertura do evento, Rubim afirmou que os direitos autorais está no cerne das novas formas do sistema capitalistas: “não é a toa que os impérios se preocupam tanto com isso”, afirmou.

Rubim ainda criticou o tratamento da cultura em regimes democráticos, reconhecendo o governo Lula como sendo o primeiro governo democrático que “colocou a cultura num lugar de importância”.

Ainda na abertura Rubim reconhece um avanço na integração das classes mais baixas na economia, mas lamenta a “paralisação da política”, afirmando que  não está ocorrendo uma reforma política necessária.

“A cultura não é neutra, e ela não deveria ser considerada neutra pelas políticas de cultura”, afirmou Rubim sobre a chave de debate – Cultura e Desenvolvimento.

Célio Turino fala sobre desdobramentos do Programa Cultura Viva no país e na América Latina

Na manhã desta quinta-feira o historiador Célio Turino, que compôs a mesa de abertura junto com José Guilherme Magnani e Albino Rubim, retomou a trajetória do Programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura e fez uma análise atual desta política cultural no Brasil e no mundo. Célio fala sobre os desdobramentos da política em Medelin (Colômbia), que agora é projeto de lei, entre outras repercussões na Améria Latina.  Reconhece os desafios que a política enfrenta no Brasil, onde está desativada mas é bandeira em campanhas por todo território.

Confira o vídeo:

Pólis Digital Entrevista Célio Turino

 

Célio Turino também apresentou sua opinião sobre o I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura.

Confira o vídeo:

2 Entrevista com Célio Turino

Célio Turino é historiador, especialista em administração cultural, escritor e servidor público.

Conferência ” Os desafios da pesquisa em cultura”

“A palavra-chave deste encontro é experimento”, definiu José Guilherme Cantor Magnani, professor livre docente do Departamento de Sociologia da FFLCH- USP. Sob esta perspectiva, a conferência “ Os desafios da pesquisa em Cultura” abriu o I Encontro Paulista de Pesquisadores em Cultura realizado na EACH –Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

Cerca de 150 pessoas, entre comunicadores e ouvintes, acompanharam a palestra com os convidados Célio Turino, especialista em Administração Culrural, e Antonio Albino Rubim, Secretario de Cultura da Bahia.

Para Albino, “propiciar encontros como esse já é, certamente,  um avanço para a consolidação da área”. Com o desafio de sistematizar as pesquisas no setor cultural, aproximar os experimentos acadêmicos da realidade e desenvolver políticas públicas,  segundo ele é cada vez mais multidisciplinar e, justamente, rica por este aspecto.

O professor é um dos precursores em pesquisa na área no Brasil. Em 2006 realizou um panorama das politicas públicas voltadas à área e constatou a relação das Políticas Culturais com Movimentos Autoritários, em seguida um desaparecimento da questão no período de Democratização e, finalmente um retorno com o governo Lula. “Iniciativas como os programas da Cultura Viva e os Pontos de cultura recolocaram a Cultura na agenda do governo”, indicou.

Neste sentido, Turino apontou a necessidade de possibilitar as narrações em primeira pessoa, ou seja, dar voz e instrumentalizar os grupos  excluídos  como jovens de baixa da periferia e até os índios. “Encontrar um ponto de equilíbrio entre as narrativas destas pessoas e a interpretação da realidade é o maior desafio da cultura no Brasil”.